25 de janeiro: Dia Mundial de Combate à Hanseníase

O que é a Hanseníase?
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, de evolução crônica e lenta,
causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de
Hansen, um micro-organismo que quando instalado no corpo humano atinge a
pele e os nervos das extremidades. A doença é caracterizada por lesões na
pele e nas mucosas, atrofia de pés e mãos e diminuição da força muscular.

Um pouco de história
A hanseníase é uma das doenças mais antigas da história da humanidade, era
chamada de lepra até meados dos anos 70. Há referências à doença em livros
muito antigos da Índia e China, muitos séculos antes da era Cristã. É provável
que o exército de Alexandre, o Grande, tenha disseminado a doença pelo
continente europeu, quando regressou das campanhas da Ásia. Na Bíblia são
descritos casos de lepra e as terríveis consequências como a exclusão do
convívio social e as deformidades provocadas em seus portadores.

E assim a doença permaneceu por séculos, reforçando o estigma e
marginalizando os doentes. Vale lembrar que lepra vem da palavra grega
lepros, que significa manchas na pele. Em 1873, o médico norueguês Gerhard
Hansen, descobriu o bacilo que causava a doença, por isso o nome da
enfermidade foi atualizado para hanseníase, porém somente em meados dos
anos 70.

Até a descoberta do tratamento para a doença, os portadores da doença eram
obrigados a viver isolados da sociedade, em colônias, para evitar a
transmissão do mal. O isolamento compulsório foi uma das piores
consequências da hanseníase para seus portadores, que mesmo curados, não
conseguiam voltar à vida em sociedade.

Causas e contágio
A hanseníase está associada a condições sanitárias inadequadas, falta de
higiene, habitação precária e à miséria. Ambientes sujos, quentes e
úmidos são ideais para a sobrevivência do bacilo de Hansen, que penetra
no organismo por meio das vias respiratórias e se instala nos nervos
periféricos e na pele. Entretanto, a evolução da doença é lenta e pode
demorar de dois a cinco anos para se manifestar.

É importante lembrar que a hanseníase não é hereditária e somente os
doentes com lesões em atividade podem transmitir a doença. Para tanto,
é necessário um contato direto e prolongado com a pessoa infectada.
Normalmente, a transmissão ocorre entre os familiares que dividem a
mesma casa, mas a maioria das pessoas é resistente ao bacilo, apenas
5% irão desenvolver a doença. Assim que a pessoa inicia o tratamento,
não há mais risco de contágio.

A maioria da população adulta, como já citado, é resistente ao bacilo.
Entretanto, as crianças são mais suscetíveis a contrair a doença quando
há um paciente infectado e não tratado na família. O período de incubação
varia de 2 a 7 anos e entre os fatores de risco estão o baixo nível
socioeconômico, a desnutrição e a superpopulação doméstica. Isso
explica porque a doença é tão comum em países subdesenvolvidos.

Sinais e Sintomas
Classificada como uma doença da pele, a hanseníase tem início lento. A
bactéria atinge, inicialmente, a pele, a mucosa do nariz, os testículos e os
olhos. Em seguida, os nervos, com consequente perda de sensações táteis e
movimentos do corpo.
Os principais sintomas, em ordem de aparecimento são:
Pele: manchas avermelhadas ou esbranquiçadas e regiões "anestesiadas";
perda de pelos nas regiões afetadas, caroços ou nódulos, dores, cãibras e
formigamento de mãos e pés;
Nervos: perda de movimento de pés e mãos, diminuição da força muscular,
ressecamento dos olhos, atrofia dos dedos;
Entupimento do nariz, com sangue e feridas;
Redução da sensação de frio, calor e tato;
Partes do corpo adormecidas.
Esses sinais podem se localizar em qualquer parte do corpo, mas ocorrem com
maior frequência, na face, orelhas, costas, braços, nádegas e pernas.

Hanseníase e os nervos
Os nervos podem ser comparados a fios elétricos, que passam por todo o
corpo. Além de serem responsáveis pelas sensações de frio, calor, dor e tato,
também permitem todos os movimentos do indivíduo. Na hanseníase, os
nervos podem ser afetados pela penetração do bacilo e pela reação do
organismo ou pelas duas ao mesmo tempo. O bacilo de Hansen pode atingir
vários nervos, mas ele atinge mais os que passam pelos braços e pernas. Por
isso, as pessoas que têm hanseníase se queixam de dores, câimbras,
formigamentos e dormência nos braços, mãos e pés.

Tipos de hanseníase
A classificação da hanseníase é feita em função do número de lesões na pele,
proporcional à quantidade de bacilos que a pessoa desenvolve quando atingida
pela doença.

Paubacilar- É a forma menos grave e mais fácil de ser curada. Se há até cinco
lesões na pele e pequena quantidade de bacilos a hanseníase é considerada
paubacilar. O doente apresenta erupções cutâneas esbranquiçadas e planas e
perda de sensibilidade ao tato.
Multibacilar- É a forma mais grave da doença, mais difícil de ser tratada e a de
mais fácil contágio. Provoca feridas cutâneas de diferentes formas e tamanhos,
caroços, queda de pelos, (sobrancelhas e cílios), atrofia de pés e mãos,
infertilidade, impotência e alta quantidade de bacilos.

Diagnóstico
O diagnóstico é feito a partir dos sinais iniciais: erupções na pele, diminuição
da sensibilidade ao tato e alterações musculares. O médico procede ao exame
físico do paciente, registra seu histórico clínico e pede exames de laboratório
como: estudo microscópico de um fragmento de pele, identificação de bactérias
da secreção nasal ou biópsia do nervo.

Tratamento
Durante muito tempo o único tratamento para a hanseníase era o isolamento
compulsório. Nos anos 40, a sulfona, um tipo de antibiótico, apresentou bons
resultados no tratamento da doença. Posteriormente, outras duas substâncias
foram introduzidas na terapêutica e a partir de 1980 a Poliquimioterapia (PQT)
foi aconselhada a ser usada por todas as pessoas com hanseníase no mundo,
porque associa drogas que têm melhor resultado, mais rapidez e menor risco
de resistência ao medicamento.

O tratamento, que é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), cura a doença e elimina o principal problema, a transmissão, logo
no início da terapia.

Sequelas da doença
O acometimento dos nervos, o diagnóstico tardio e a demora para iniciar o
tratamento podem provocar o desenvolvimento de incapacidades físicas e
deformidades nas pessoas atingidas pela hanseníase. As deficiências podem
ser físicas, visuais e olfativas. Mesmo curado, o paciente deve realizar o
acompanhamento da doença. Se houver qualquer sequela, o sistema
público de saúde oferece a reabilitação, incluindo cirurgias reparadoras.

Prevenção
A hanseníase é uma doença conhecida, que pode ser tratada e curada. A
informação é muito importante, por meio de campanhas de saúde pública,
principalmente para as populações de risco. A melhoria das condições
sanitárias é fundamental para evitar a doença. Outra forma de prevenir é a
vacinação das comunidades vulneráveis contra a tuberculose.

Perguntas e Repostas
1- Quando um paciente de hanseníase inicia o tratamento, ele precisa
ficar isolado?
Não. Atualmente os casos de hanseníase são tratados com
Poliquimioterapia (PQT) nos ambulatórios das unidades de saúde, não
necessitando de internação hospitalar. O tratamento é eficaz e cura a
doença.

2- Sinto muita dormência nos pés e mãos, pode ser hanseníase?
Não. Mas é preciso lembrar que quando os nervos periféricos são
comprometidos
pela hanseníase pode haver dormência nestas áreas, acompanhada ou não de
fraqueza dos músculos. Existem outras doenças que podem causar sintomas
semelhantes, como diabetes e alcoolismo crônico. O médico poderá fazer a
distinção entre estas doenças e a hanseníase.

3- Como é o tratamento para a hanseníase?
Todos os pacientes devem receber o tratamento chamado Poliquimioterapia
(PQT), que é composto por dois ou três medicamentos: Paucibacilar (PQT-PB)
com dapsona e rifampicina; e Multibacilar (PQT-MB), com dapsona,
rifampicina e clofazimina. Estes remédios são apresentados em forma de
cartelas (blisteres) PB ou MB. Para evitar que o bacilo fique resistente às
drogas, é usado mais de um medicamento. O tratamento completo PQT é:
*Casos PB – 6 cartelas (1 cartela = 1 dose supervisionada / mês). O tratamento
completo de casos PB deve ser feito com 6 doses supervisionadas em até 9
meses.
*Casos MB – 12 cartelas (1 cartela = 1 dose supervisionada / mês). O
tratamento completo de casos MB compreende 12 doses em até 18 meses. Os
remédios são gratuitos e disponíveis nas unidades de saúde de cada
município.

4- O que a família de um paciente com hanseníase deve fazer quando a
doença for confirmada?
A primeira iniciativa é procurar um posto de saúde para examinar a pele
das pessoas que moram ou moraram na mesma casa nos últimos 5 anos.
Os portadores de lesões sugestivas devem ser encaminhados para
confirmação do diagnóstico. Os que não tiverem lesões ou áreas sugestivas de
hanseníase devem receber uma dose da vacina BCG, caso não tenham ou
tenham apenas uma cicatriz vacinal.

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