DESCASO COM A EDUCAÇÃO BÁSICA INCLUSIVA REFLETE NO BAIXO NÚMERO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR

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#PraTodosVerem: foto colorida, mostrando um rapaz com deficiência sentado numa cadeira de rodas parado numa rampa olhando para frente 

Uma leitura atenta dos dados do Censo do Ensino Superior de 2016 mostra que ainda que temos muito para caminhar em direção à inclusão de pessoas com deficiência nesse nível escolar. Do total de aproximadamente 8 milhões de matrículas no ensino superior, apenas 0,45% é de pessoas com deficiência, ou seja, apenas 36 mil estudantes têm alguma deficiência. É inconcebível num país em que quase 25% da população (cerca de 50 milhões de indivíduos) tem algum tipo de deficiência, apenas 36 mil tenham acesso ao ensino superior.

Considerando apenas a presença em cursos de ensino superior presencial, observa-se, através da leitura dos dados do Censo do Ensino Superior 2016, que a maioria das matrículas de pessoas com deficiência é em cursos de humanas: direito, administração, psicologia e pedagogia são destaques. Quando considerado o tipo de universidade em que estão matriculadas as pessoas com deficiência, tem-se que são nas instituições públicas que está o maior número de matriculas.

Quando consideradas as deficiências temos:

a) deficiência auditiva: 6.794 matriculados

b) deficiência física: 12.784 matriculados

c) deficiência intelectual: 1.389 matriculados

d) deficiência múltipla: 857 matriculados

e) deficiência visual: 13.112 matriculados

f) espectro do autismo: 488 matriculados

Em 2015, um grande alvoroço foi percebido em meio às pessoas com deficiência quando, um artigo da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146), que estabelecia cotas para acesso ao ensino superior a estudantes com deficiência, foi vetado. O argumento do veto presidencial era que da forma que estava escrito o artigo em questão, criava-se uma distorção naquilo que era a política nacional de cotas no ensino superior, que inclui pessoas negras, indígenas e oriundas de escolas públicas. Veja aqui a mensagem do veto. Em 2016, temos a sanção da lei nº 13.409 que dispõe sobre as vagas destinadas às pessoas com deficiência no ensino técnico médio e ensino superior nas universidades federais.

Para representar o impacto dessa legislação no cotidiano das instituições de ensino superior federal, usaremos o caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Foram aprovadas para cursar um curso no anos de 2018, 700 pessoas com deficiência, de um total de 6.339 vagas. Para efeito de comparação, no ano de 2017, a UFMG tinha 300 alunos com deficiência, sendo que 56 eram acompanhados pelo Núcleo de Apoio à Inclusão (NAI). Mais que o dobro de alunos com deficiência chegarão a UFMG em 2018, quando comparado com 2017.  O impacto disso será grande no cotidiano da instituição, uma vez que não só a entrada destes alunos terá que ser garantida, mas também sua permanência e sua conclusão de curso. Para isso, questões de acessibilidade arquitetônica, pedagógica e atitudinal terão que ser enfrentadas.

É uma vitória tantos alunos com deficiência terem a possibilidade de entrar numa universidade com o nível de excelência da UFMG, mas poderia ser muito melhor. Resta agora saber, como será efetivada a permanência desses alunos? O que será feito para que mais alunos entrem? E como será a absorção do mercado de trabalho (pesquisa de iniciação científica, extensão universitária, estágios e trabalho depois de formados) desses estudantes?

Boa reflexão

Fonte: https://tudobemserdiferente.wordpress.com/2018/03/06/descaso-com-a-educacao-basica-inclusiva-reflete-no-baixo-numero-de-pessoas-com-deficiencia-no-ensino-superior/

 

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